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14.5.11

Oligodendroglioma

a definição:

São tumores de hemisfério cerebral de adultos, com incidência menor que os astrocitomas e glioblastomas, correspondentes à cerca de 10 a 15 % dos gliomas. Possuem características clínicas e radiológicas, com crises convulsivas e normalmente apresentam calcificações nos exames de imagem.

aspecto macroscópico: formam massas acinzentadas, geralmente melhor delimitadas que os astrocitoma, sendo comuns as calcificações. O aspecto histológico é característico. São formados por oligodendrócitos, que são células pequenas, com núcleo redondo e citoplasma claro, geralmente com halo vazio em volta do núcleo (aspecto de ovo frito). A impressão é de regularidade. Os vasos são delicados, com ramificação dicotômica, com formação de trama comparada à tela de galinheiro. Geralmente não se observa a proliferação endotelial característica dos glioblastomas. Embora sejam relativamente bem delimitados e histologicamente diferenciados, tendem a recidivar após a retirada cirúrgica, já que esta só raramente pode ser completa. O grau de malignidade dos oligodendrogliomas comuns é grau II – OMS e pode aumentar nas recidivas, passando a grau III – OMS, ou oligodendroglioma anaplásico.

Podem ser divididos em dois subtipos histológicos (estrutura tecidual):

oligodendroglioma de baixo grau: a origem deste tumor proporciona menor agressividade histológica e biológica quando comparado a tumores astrocíticos. Por isso seu prognóstico é muito favorável, sendo a sobrevida superior a 15 anos (90% dos casos), quando ressecado (extirpado) cirurgicamente de forma completa. Existe potencial de transformação maligna, porém, mesmo os agressivos respondem bem aos tratamentos adicionais (radio e quimioterapia). O tratamento de escolha é o cirúrgico, principalmente, sendo a radioterapia e quimioterapia reservadas somente com o sinal de progressão da lesão ou transformação. Ressonâncias de controle são necessárias anualmente ou quando as crises convulsivas tornarem-se mais freqüentes ou fora de controle.

oligodendroglioma anaplásico: a anaplasia dá um caráter mais agressivo ao tumor, porém novamente, quando comparado ao astrocitoma anaplásico, sua sobrevida é maior, uma média de 5 a 8 anos na maioria dos pacientes. A cirurgia deve ser a mais ampla possível e obrigatoriamente seguida por radioterapia e quimioterapia. O esquema quimioterápico classicamente utilizado e que apresenta maior resultado é o PCV (P=procarbazina, C=carmustina, V=vincristina) mensal.

fonte

o que o médico disse...

ja lá vai algum tempo desde que fui à tal consulta, mas recordo o essencial (embora a memória não esteja no melhor..).
Em vésperas da dita cuja consulta deixei um conjunto de perguntas que disse que colocaria ao neuro.. e eles acabou pir me esclarecer todas, quer por resposta directa, quer na sequência da intervenção dele. Gosto muito do meu neuro-cirurgião - é um especialista diferente, que se importa com as pessoas, pouco ortodoxo nos métidos, mas é para o bem dos pacientes, um narciso com uma auto-confianças inabalável e que arrisca. E sósai-se sempre bem porque é muito bom. Tive muita sorte em encontrá-lo.

E assim ele deu-me estas respostas para as perguntas...

Já posso trabalhar?
R: Nem pensar! 3 meses, pelo menos, sem trabalhar. Um mês era apenas para descanso total. Não tenha pressas em voltar ao trabalho. Há que recuperar bem para depois não ficar com sequelas ou o resultado de uma má recuperação.

E ir ao ginásio?
R: Claro que sim, até ajuda a aliviar o stress, a recuperar mais rapidamente. o ideal é fazer natação, hidroginástica - senão quealquer desporto é bom. não tem limitações. (depois desta consulta, pensei que funcionaria como uma alvanca para regressar ao gin, mas acabou por acontecer tudo ao contrário...)

Sempre me retirou cérebro junto com o tumor?
R: o que fiz foi retirar o tumor do que era macroscopicamente visivel e ainda retirar cerebro à volta do que poderia já estar microscopicamente afectado. correu muito bem porque o tumor já se aproximava do girus pré-motor e tive receio que acordasse sem locomoção. (o médico confeçou, para reforçar quão bem me tinha corrido, que já depois da minha operação realizou outra semelhante a uma jovem e que não tinha corrido tão bem, já que  aprimeira noite passou-a sem sentir as pernas... só recuperou a sensibilidade no dia seguinte..)

Em que é que perdi faculdades?
R: Não perdeste faculdades, mas também não as ganhaste, simplesmente porque o tumor já ocupava uma zona do cérebro que agora está vazia (daí o médico procedeu a uma explicação recorrendo à maquete de um cérebro que ele tinha lá em cima da mesa: mostrou-me que para além da extensão, retirou-me tumor e cérebro em profundidade. fiquei comum buraco imenso no lado esquerdo ao centro que, com o tempo, vai sendo preenchido com massa cinzenta; o cérebro adapta-se ao lugar vazio).

Quais as sequelas de um mau descanso?
R: (a essa pergunta não me quis responder porque - é verdade - já mo tinha respondido antes da intervenção e tal... as sequelas passam por uma performance inferior a nível cognitivo e ter menor capacidade de resistência a muitas horas seguidas acordada, etc, etc..)

Isto de ter o discurso afectado, andar mais distraída, ter inconstâncias maiores de humor, perder-me entre o pensamento e a palavra, stressar mais com a pressão e o trabalho, é passageiro ou veio pra ficar?
R: é muito normal nesta fase (estava a meio do tempo de descanso). repare que não foi tirar um dente; você foi operada ao cérebro. essas ligações no cérebro ainda estão bastante inflamadas, tem que dar tempo para desinflamarem. em meio ano já estará como nova e pronta para dar o mesmo que antes.

Queria retomar o tratamento com a dermatologista... posso?
R: a dermatologista (ou seja, o microadenoma na hipófise) é o menor dos seus problemas de momento... (E perguntou-me se queria que me passasse alguma receita de algum medicamento, ao que pedi para me renovar o stock de um dos que tomo para esse 'micro-problema' hormonal..)

Ele acrescentou que o meu tumor era maligno, coisa que não esperava, visto que já me acompanha desde 2006. Oligodendroglioma Anaplásico (melhor teria sido se fosse 'Simples' referiu o Dr.), é o nome do bicho, um tumor de Grau II, que se caracteriza pelo lento crescimento. Estes tumores são dos mais raros, disse-me o neuro; os agressivos (de crescimento rápido) são os mais comuns.
O médico também confeçou que só não estou a fazer radioterapia porque ele contrariou a vontade da equipa de oncologia; explicou que o resultado da cirugia e a minha idade (tão jovem) não justificariam essa opção que traz alguns malefícios. No caso do tumor reincidir, poderá vir com maior agressividade. Aí terei que ser novamente operada e fazer radio. Vou ser vigiada por ele de 6 em 6 meses. A próxima consulta é em Novembro, com uma nova TAC a ser feita nessa antura (deu-me a que fiz em véspera da cirurgia para mostrar quando fosse fazer a nova).
Outra coisa que referiu era que teria sido 'melhor' se o tumor tivesse 'atacado' o hemisfério direito do cérebro, por causa das questões motoras... Os 'livros' dizem que mesmo quem é operado a este tipo de tumor tem uma sobrevida de 5 a 15 anos... o meu dr. disse que os 'livros' não sabem tudo e tem pacientes que operou há mais de 15 anos e saudáveis.

E foi isso...

23.3.11

sexta-feira: hora da verdade

é esta sexta-feira que tenho a primeira consulta pós-operatório com o neurocirurgião que me operou. Porquê só agora? porque ele foi de férias, que também é filho de Deus :)

entretanto preparei uma série de perguntas para lhe colocar:

  • Já posso trabalhar?
  • E ir ao ginásio?
  • Sempre me retirou cérebro junto com o tumor?
  • Em que é que perdi faculdades?
  • Quais as sequelas de um mau descanso?
  • Isto de ter o discurso afectado, andar mais distraída, ter inconstâncias maiores de humor, perder-me entre o pensamento e a palavra, stressar mais com a pressão e o trabalho, é passageiro ou veio pra ficar?
  • Queria retomar o tratamento com a dermatologista... posso?

e será isto... as respostas partilharei convosco.

21.3.11

Eu não ligo a estas coisas, porém...

Antes de mais quero deixar um beijo cheio de carinho à menina que me deixou este selo: a Luna Leve...


A Luna está com um problema mas não perde a sua alegria e determinação, nem a preocupação com os outros. Por isso, Luna, "aproveita para pores a tua vida como a queres" :) eu farei o mesmo.

1 - Enumera 3 razões que te fazem lutar pela tua saúde.

  1.  minha família e o meu namorado
  2. a vontade de fazer coisas e ser tão ou mais expedita que antes
  3. a própria vida, que é boa demais...


2 - O que te faz sorrir, independentemente de tudo parecer estar mal?
dura alguns segundos, mas... o cruzar súbito com um bebé na rua. faz-me voltar a ser criança novamente e esquecer o resto do mundo... por segundos. e eu que nem instinto maternal tenho... :D

3 - Qual o teu conselho às pessoas que duvidam que consigam concretizar os seus objectivos?
eu sou a prova  - provadinha! - que 'yes, you can!': uma gaja que foi gorda toda a vida (mesmo quando praticava desporto!), tinha tensão alta e coiso e tal, e de repente deu-lhe na cabeça para emagrecer. Não cai do céu, só depende de nós, do nosso trabalho, da nossa paciência, do nosso bom astral, da nossa disciplina, de muito desporto e de ter sorte com a saúde e de um 'empurrãozinho' dos placebos... pelo menos comigo foi assim!

4 - Oferece este selo a quantas pessoas desejares e deixa um pequeno comentário nos seus blogs a avisá-las desta oferta.
Luna: "Ofereço a todas as gaijas que me lêem e que marcaram a diferença ao mudar por si, especialmente a esta 'ganda maluca' que anda numa lutadeira! Manu!"
Manu: Retribuo à Luna. Grande luta terás pela frente para debelares o teu problema! Mas sabes o que aprendi com a minha doença? Nada como enfrentar o 'inimigo' com um sorriso no rosto, como se de 'peanuts' se tratasse. ;) às restantes miudas, com um OBRIGADA especial às que deixam aqui diariamente o seu apoio. 

12.3.11

dias melhores, dias piores...

há dias melhores do que outros. exemplo: ontem foi um dia para esquecer; senti-me verdadeiramente de rastos, acusando os 'abusos' (leia-se deitar às 2h da manhã, conversar o dia todo com várias pessoas, falar de trabalho, assunto que deveria estar abulido pelo menos 1 mês...) da véspera...

mas eu sou um ser insatisfeito e ansioso por natureza
nesta minha recuperação, a minha frutração vai para o facto de eu ter pressa em ser como era e isso acaba por cansar-me. é muito irritante querermos evoluir e não sentirmos a parte da cabeça afectada a acompanhar a parte sã e intocada.

a zona intervencionada é o lóbulo frontal esquerdo, responsável pela comunicação, pela coordenação, pelo bom senso, pela lógica e pela memória. Achei desde logo muito bem tudo isso... mas de que forma ficaria eu afectada? ainda para mais sendo ambidextra? um mistério...

após a intervenção já consigo responder a essas perguntas: tenho ainda mais dificuldade em exprimir-me, em relatar sentimentos, vivências, em tomar decisões, em responder com lógica; o pensamento é como areia solta, sem consistência, embora se mantenham consitentes os ideais... e depois os bloqueios: bloquear a vestir, a fazer o pequeno almoço, a cortar as unhas... tudo o que sejam acções sequenciais eu bloqueio...

e hoje que estou num dia bom em que não me pesa a cabeça, consegui escrever este post, em menos de 10 minutos, aos contrário do último, em que levei 6 horas... é uma boa evolução, verdade?

10.3.11

Eu venci um tumor no cérebro

Faz hoje duas semanas que fui operada à cabeça.
há muita coisa que mudou...
eu sinto-me mais desapegada da realidade, menos consciente, perdida entre o pensamento e a palavra.
Muito mergulhada em mim. Estou incapaz de produzir uma conversa que tenha cabeça tronco e membros...


em termos concretos aconteceu tudo muito de repente...
eu eternamente à espera de um telefonema da dermatologista a propósito do resultado da TAC...
os resultados da prolactina a confirmar as minhas negativas expectativas...
eu a desesperar e a marcar uma consulta num endocrinologista....
e de repentente... a dermatologista alarmada a ligar-me...
eu a marcar consulta de urgência no neurocirurgião que ela me indicara...
enquanto fui da sexta até quarta já eu virara o google de pernas para o ar a descobrir o que é um astrocitoma de baixo grau de malignidade, como vinha descrito no relatório da TAC...

entretanto, entre ter sido vista pelo médico, que disse logo que me operava, e o ter ido parar à marquesa foi menos de uma abrir e fechar de olhos...

e aqui estou eu... a julgar que pouco mudou, do muito que mudou...

coisas que não mudam:
a relação de amor-ódio com o meu corpo

o que mudou:
a minha paixão pela vida que tonou-se absoluta
corpo: o que ficou para trás não tem volta a dar... há que recomeçar do zero.

a todos vocês: aceitem-me de volta. este blog vai relatar a fúria de voltar a viver.